quarta-feira, 6 de março de 2013

Capítulo 8 - Parte II - Doce Inimigo




Xxxxx:Várias costelas quebradas, lesões internas.
Xxxx:Ela não está respondendo.Temos que encontrar alguém da família....
Horas depois no hospital....
Xxxx:Ela tem que responder! Meu Deus, faça alguma coisa, qualquer coisa! Não importa o quanto vai custar!
Médico:Nós estamos fazendo tudo o que podemos, é claro.… Mas ela não está tentando, veja. Tentando viver, eu quero dizer. A vontade de viver pode fazer a diferença em casos como estes.
As vozes desvaneceram-se e, em seguida, uma deles voltou, profunda e lenta, e ela estava vagamente ciente dos dedos entrelaçados com os seus, segurando-os, acariciando-os.
Joseph:Fugindo de mim? _a voz rosnou_  É isso que você está tentando fazer, Demi, fugir mais um pouco?
Os olhos dela estremeceram, suas sobrancelhas contraíram. Sua cabeça moveu-se inquieto sobre o travesseiro.
Demetria:Eu… não quero…, _ela sussurrou meio consciente_
Joseph:Não quer o quê?
Demetria:Viver, _ela admitiu_ Dói… muito.
Joseph:Morrer vai doer mais, _foi a resposta curta_ Porque se você for, eu vou também. Você não vai me escapar dessa maneira. Então que Deus me ajude, vou segui-la! Você me ouviu,Demetria?
Sua cabeça movia-se de um lado para o outro.
Demetria:Deixe-me… sozinha! _ela sussurrou dolorosamente_
Joseph:Por que diabos eu deveria? Você não vai me deixar sozinho.
Os dedos foram apertados e ela sentiu ou pensou sentir uma onda de emoção que fluía através deles, aquecendo-a, tocando-a, gentilmente segurando-a a vida.
Ela lambeu seus lábios secos e rachados.
Demetria:Não…me deixe ir, _ela murmurou, apertando a mão em torno dos dedos fortes_
Joseph:Eu nunca deixarei você ir, pequena. Aguente firme, querida. Só aguente.
Demetria:Aguente…, ela respirava, e as trevas voltaram.
As vozes iam e vinham de novo, ora monótona, ora discutindo. Uma voz feminina participava, articulada, macia. Era como uma sinfonia de sons estranhos, misturado com o barulho de objetos metálicos, o frescor de toalhas, a sensação de água quente e mãos frias. E aquela voz…
Joseph:Não desista agora, _ele ordenava, e ela sentia os dedos fortes segurando os dela_ Você consegue se você tentar. Aguenta firme! Ela respirava breve e bruscamente e doía terrivelmente. Ela fez uma careta com o esforço.
Demetria:Ah, isso… dói! _ela gemeu_
Joseph:Eu sei. Oh, meu Deus, eu sei. Mas continue tentando,Demi. Vai ficar melhor. Eu prometo.
Assim, ela continuou tentando, desvanecendo-se dentro e fora da vida, até os sons tornarem-se familiares, até que um dia ela abriu os olhos e viu os lençóis brancos que cheirava a medicamentos e viu a luz solar filtrada pelas persianas em sua cama.
Piscando, os lábios rachados, ela olhou para um rosto pálido e abatido, com olhos verde-esmeralda e cabelos negros desgrenhados.
Ela franziu a testa, entorpecida de analgésicos e sono.
Demetria:Hospital? _ela conseguiu fraca_
Joseph deu um suspiro profundo, pesado.
Joseph:Hospital, _ele concordou_ Ainda dói?
Ela engoliu.
Demetria:Poderia… água?
Ele se levantou da cadeira e derramou água e gelo em um copo de uma jarra de plástico que estava ao lado da cama. Sentou-se na borda da cama, para levantar sua cabeça para que ela pudesse sorver a água gelada.
Demetria:Oh, isso é tão bom, _ela quase chorou_ tão bom!
Joseph:Sua garganta parece ter serragem, eu imagino.
Demetria:Parece… areia do deserto…, _ela corrigiu, estremecendo quando ele colocou a de volta no travesseiro_ Eu… tenho algo quebrado?
Joseph:Algumas costelas, _disse ele_
O tom em sua voz a incomodou.
Demetria:O que mais?
Ele passou a mão pelos cabelos densos e escuros.
Joseph:Você teve um acidente infernal, Demi, _disse ele calmamente_
Demetria:Joseph, o que mais? _gritou ela_
Joseph:Sua coluna, querida, _disse ele gentilmente_
Com um sentimento de horror ela tentou mover as pernas… e não podia.
Demetria:Oh, meu Deus… _ela sussurrou_
Joseph:Não entre em pânico, _advertiu, afastando o cabelo úmido de suas têmporas_ Não entre em pânico. Não está quebrada, apenas machucada. Seu médico diz que você estará andando novamente em algumas semanas.
Os olhos dela se arregalaram, procurando-o desesperadamente.
Demetria:Você não… mentiria para mim?
Seus dedos roçaram o rosto suavemente.
Joseph:Eu nunca mentiria para você. Não vai ser fácil, mas você vai andar. Tudo bem?
Ela relaxou.
Demetria: Tudo bem. Como eles… encontraram você?, _perguntou ela_
Uma sombra de sorriso tocou-lhe a boca cinzelada.
Joseph:A carta de Robert, em sua bolsa.Tinha seu nome e o endereço da fazenda nela, lembra?
Ela concordou, brincando com o lençol.
Demetria:Eu estava… pensando sobre o cruzeiro, quando o carro…
Joseph:Você poderia ter me dito para onde estava indo, observou ele.
Ela corou, desviando os olhos.
Ele respirou profundamente.
Joseph:Pensando bem, _disse rispidamente_ por que diabos você deveria? Deus sabe que não lhe dei qualquer razão para pensar que eu me importava com você, não é mesmo,Demi?
Ela ainda não poderia lhe responder, as lembranças estavam voltando com pleno vigor agora, ferindo, machucando…!
Joseph:Não, _disse ele gentilmente_Demi, não olhe para trás. Vai precisar de toda sua força para ficar em pé novamente. Não a desperdice comigo.
Ela respirava irregularmente.
Demetria:Você está certo sobre isso, _ela murmurou fracamente_ Seria um desperdício.
Joseph:Estou feliz que você concorde, _ele respondeu, sem nenhum traço de emoção em sua voz profunda e lenta_
Ela estudou as mãos pálidas.
Demetria:Por que você veio?
Joseph:Porque Emma e Selena não descansariam enquanto eu não viesse, _ele rosnou_ Por qual outro motivo?
Demetria:Bem, eu vou viver, _disse ela amargamente_ E vou andar. E não preciso de nenhuma ajuda sua, então por que você não vai para casa?
Joseph:Não sem você.
Ela fitou-o, mas não havia nenhum indício de expressão em seu rosto moreno.
Joseph:No momento em que eu saísse, você se entregaria a auto-piedade.Eu não faria isso!
Ele estendeu a mão e pegou seus frios e nervosos dedos.
Joseph:Só vou te deixar no dia em que você puder andar por conta própria, _disse ele_ Isso deveria servir de incentivo, feiticeira.
Feiticeira. Lembrou sem querer da última vez que ele lhe chamou assim, obrigando-a, segurando-a, machucando-a, a boca firme criando sensações que caiam sobre ela como fogo.
Joseph:Você está corando, Demi, _ele brincou com suavidade_
Ela puxou a mão e desviou os olhos dele.
Demetria:Eu posso ir para casa… para o apartamento, _ela vacilou_
Joseph:Não nessa vida, querida, _disse ele, e ela reconheceu o tom obstinado em sua voz_ Nem que eu tenha que amarrá-la em casa. Selena estará em férias nas próximas três semanas, e eu serei amaldiçoado se te deixar em um apartamento sozinha e desamparada.
Demetria:Não sou inválida!
Joseph:Não? _ele provocou, com os olhos descendo pelo seu corpo_
Ela bateu na coberta com um impotente soco.
Demetria:Eu te odeio!
Joseph:Pelo menos você não está indiferente, _ele riu_ O ódio pode ser excitante, pequena.
Por pouco, seus pálidos olhos não o queimaram.
Demetria:Espere até eu voltar a ficar em pé!
Ele apenas sorriu, inclinando-se para trás na cadeira, a tensão, a experiência em evidência.
Joseph:Eu vou tentar, baby.
Alguma coisa na maneira como ele falou a fez corar.
O tempo passou rápido depois disso. A dor persistiu por alguns dias, especialmente quando eles cortaram os analgésicos, mas Joseph estava sempre lá, desafiando-a lamuriar sobre isso. Eles a encaminharam aos fisioterapeutas, e ele também estava lá, assistindo, esperando, zombando. Ela trabalhou duas vezes mais duro, concentrando-se nos músculos fracos para fazer o que ela queria, usando a violenta emoção que sentia como um chicote. Ela voltaria a andar. Ela tinha que voltara andar, se não fosse por qualquer outra razão para provar aqueles infernais olhos jades que poderia!
Finalmente chegou o dia, quando ela teve alta do hospital, quando a ciência médica já tinha feito tudo o que podia. Ela olhou sobre a parte traseira do assento do táxi em direção a imagem desvanecida de Miami enquanto chegavam ao aeroporto. E ela nem chegou a ver o navio que faria o cruzeiro.
O vôo para casa parecia ter passado muito rápido.Joseph relaxou enquanto pilotava o pequeno avião mono motor, seus olhos atentos sobre os controles e os limites das pequenas cidades,fazendas, parques, florestas e rebanhos de gado ao voarem sobre aquela paisagem através das nuvens.
Ela olhou para Joseph. Será que ele realmente queria que ela o odiasse, pensou, ou apenas tinha dito aquilo para irritá-la? Ela se lembrava da sua própria presunção na adolescência, quando o colocou em um pedestal e fez tudo para adorá-lo. Aquilo devia ter sido insuportável para um homem como Joseph, sendo seguido por aí como um cão de estimação, como ele colocou antes que ela deixasse o rancho.
Seus olhos se voltaram para a janela, olhando para as nuvens inconsistentes. Se ela pudesse esquecer aquele comportamento idiota, se pudesse apagar tudo que tinha acontecido entre eles, começar de novo e serem… amigos.
A palavra quase a sufocou, mas reconhecia tardiamente que era a única coisa possível agora. Todas as pontes foram queimadas atrás deles. Ela tinha feito aquilo tudo por si mesma.




Próximo Capítulo..

2 comentários:

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