CAPÍTULO 4 - UM NOVO HERDEIRO
Demi POV
A
cabeça estava pesada e meus olhos ainda doíam...e muito. Tanto que eu
não conseguia abri-los. Mas também...estava tão quente e confortável que
eu não tinha vontade de sair da cama. Mesmo sabendo que o trabalho me
esperava lá fora. Remexi um pouco na cama e seu cheiro me invadiu.
Forte, másculo, delicioso. Obriguei meus olhos a se abrirem, afinal eu
precisava saber de onde vinha esse cheiro. Assim que vi seu rosto tão
próximo ao meu, lembrei-me da noite anterior. Aliás lembro-me apenas que
sentia muito frio, então Joseph me envolveu em seus braços e eu
mergulhei no sono. Olhei bem suas feições, de olhos fechados, tranqüilo.
Sim, era muito lindo. Não me espantava por Camila ter se esfregado nele
por ai. Era uma pena realmente que não nos déssemos bem.Apesar do que
combinamos dar uma trégua.
Joseph me mostrara um lado até então desconhecido. O lado carinhoso e amável
que eu jurava que não existia ali. Belíssimo...tão jovem, mas o corpo
era de um homem maduro, experiente.
- Se está pensando numa forma de me matar, quero que seja rápido e indolor.
- Joe...que susto.
Ele riu e abriu os olhos.
- Pensei que estivesse dormindo.
-Estava apenas de olhos fechados. Não consegui dormir.
Só então reparei em seus olhos. Realmente parecia cansado.
- Por que? Por minha causa?
- Em parte.Você fala demais
Arregalei os olhos.
- Dormindo?
Ele riu novamente.
-Sim.
- O que eu disse?
- Não entendi muita coisa.
- Eu nem sabia disso.
- Está melhor?
- Meu corpo ainda dói, mas acho que a febre passou. Eu preciso me levantar.
- De jeito nenhum. Eu já falei com meu pai. Não está em condições.
- Como não? Ah...nem vem com essa, Joseph.
Levantei-me
de uma vez, mas mal dei dois passos e a tonteira me impediu. Só não cai
porque duas mãos fortes me pegaram pela cintura.
- Eu falei. Teimosa.
- Foi só uma vertigem.
- Sim...por causa da gripe. Então é melhor que fique deitada. Eu vou buscar alguma coisa para você comer.
Ele falava enquanto me forçava a deitar na cama novamente.
-Não precisa.
Ele se deitou também, as mãos atrás da cabeça.
-Eu não vou discutir com você. Mas tenho certeza que minha mãe virá trazer alguma coisa.
Joseph estaria mesmo preocupado comigo? Ou aquilo tudo era remorso?
Pior....será que Paul o ameaçara de alguma forma? Por que ele mudou
tão de repente assim comigo?
Eu
nunca fui mulher de meias palavras. Nunca fui de ficar no escuro. Ele
não queria uma trégua? Nada melhor que começar contando a verdade.
- Queria te perguntar uma coisa, Joe.
- Pode falar.
- Por que está fazendo isso? Quer dizer...por que está me tratando tão bem?
- Você é minha esposa.
- Eu sei. Você que parece ter se esquecido.
Ele
se levantou, ficando sentado na cama. Estava de costas pra mim e assim
ficou um longo tempo até se virar novamente. Sentei-me também e ficamos
cara a cara. Tinha que ser assim. Nada além da verdade.
- Eu me sinto um monstro pelo que fiz, Demi. De verdade. Estou tremendamente envergonhado de tudo o que fiz.
- Porque essa crise de consciência de repente?
- Não é crise de consciência. Eu apenas percebi a mulher maravilhosa que você é. Não só de corpo como de alma.
Fiquei tensa. O que ele estava querendo dizer? Ele sempre disse que eu era masculina demais.
- O que você quer dizer.....
- Demi....por que você se esconde atrás dessas roupas? Você é linda....por que isso?
A raiva me subiu como uma flecha. Então era isso....mas como ele descobriu? Me espionou enquanto dormia?
Ao que parece ele percebeu minhas indagações.
- Eu vi você tomando banho no rio.
Levantei-me da cama furiosa.
- Então é isso? Por isso essa trégua? Porque viu em mim mais uma chance de satisfazer seus desejos animais?
- Não...não Demi....
Ele se levantou e veio ate mim.
- Não chegue perto de mim.
- Eu não vou negar que te achei linda.....e que.....desejei você. Mas não é por isso que quero ficar bem com você, eu juro.
- Aha....e quer que eu acredite nisso? Sempre me desprezou, Joseph.
- Demi...eu errei, fui um idiota, troglodita, mas por favor....eu me arrependo, é serio.
- Você quer o meu corpo não é? Assim como a Camila.
- Não...
Ele ficou mais perto de mim segurando minhas mãos.
- Eu juro que não. E jamais vou tocar em você dessa forma...a não ser que você queira.
- Você é meu marido....seria seu direito.
- Sim...mas isso só faria você ter a certeza que eu quero apenas seu corpo. E não é verdade. Eu quero mesmo me dar bem com você.
Quer
saber? Eu acreditei nele. Não tinha como duvidar daqueles olhos tão
intensos que me encaravam e me deixavam ver quase a sua alma. Sem contar
que ele havia me tratado com tanto carinho....E eu estava cansada, meu
corpo ainda dolorido...abracei sua cintura e encostei minha cabeça em
seu peito. Era incrível como eu me sentia bem ali. Era ridículo até.
Nunca nos demos bem,desde crianças. Aliás eu só comecei a sair de casa e
ir até a casa dos Cullen aos 12 anos de idade. Realmente não tinha como
me juntar ao moleque que Joe era. E eu soube que naquela época ele
já andava pegando as empregadas do pai. Fechei meus olhos quando suas
mãos subiram pelas minhas costas, me abraçando também.
- Desculpe-me, Joseph. Fui rude com você.
Ergui meu rosto para olhá-lo.
- E obrigada por tudo que fez por mim.
Fiquei
na ponta dos pés para dar um beijo em seu rosto,mas Joseph não sei se
involuntariamente ou não, virou o rosto e meus lábios tocaram os dele.
Ficamos parados, os lábios colados nos olhando até que seu sabor se
intensificou e fechei meus olhos. Então Joseph moveu sua boca, me
beijando de verdade. Mas foi breve. Em seguida uma batida na porta me
fez separar dele rapidamente. Baixei meus olhos envergonhada.
Porra....eu gostei.
Joseph levantou até a porta e a abriu, deixando uma Denise desconsolada entrar. Tinha os olhos vermelhos, parecia que tinha chorado.
- Está melhor, querida? Joe me falou que teve febre alta.
- Sim. Já estou melhor. Obrigada.
- Trouxe suco e frutas para você comer. Coisa bem leve.
Joe veio até nós, olhando com curiosidade.
- Mãe? Algum problema? Estava chorando?
Ela não respondeu.
- Quando terminarem, desçam. Paul quer falar com vocês.
- Mãe?
- Por favor, Joseph. Eu preciso descer agora. Temos visitas.
Saiu e nos deixou sozinhos.
- Visitas? Quem será?
Joseph sentou-se ao meu lado e me serviu o suco.
- Será que é o cara que veio pedir emprego ao seu pai?
- Que cara?
- Encontrei com ele na cidade ontem. Ele queria pedir emprego ao seu pai. Dei uma carona a ele.
- O que? você sai andando assim com um desconhecido? Ficou louca Demi??
Aquilo me pegou de surpresa.
- O cara poderia ser um assassino, um tarado.
- Ah...menos, Joseph.
- Estou falando sério. E além do mais você é casada. Não pega bem sair com um homem por ai.
Ergui
minha sobrancelha pra ele mas não disse o que eu pensava: ele também se
esfregou com Camila...todo mundo sabia. Mas eu não queria brigar com
ele. Mas ele com certeza entendeu.
Apenas mudou de assunto.
- Percebeu como minha mãe estava estranha?
- Parecia que esteve chorando.
- Fiquei preocupado agora.
- É melhor tomarmos esse café e descermos então.
Ficamos
em silêncio enquanto tomávamos nosso café. Quem visse a cena pensaria
que somos um casal normal, feliz. Pensando bem, sem falsa modéstia,
formávamos um belo casal. Era uma pena que não existisse amor.
Joseph POV
Estava
cansado, com sono. Não consegui dormir. Não por causa da bela mulher em
meus braços. Mulher que aliás, era minha esposa e que eu burramente
trai.
Eu
simplesmente não conseguia dormir porque pensava o tempo todo em minha
vida. No que eu era, no que eu poderia ter sido. Era estranho como o
simples fato de ver quem Demi era realmente me fez repensar minha vida.
Eu achava que não tinha nada a ver. Afinal o que tinha demais eu
descobrir que ela era linda e pensar na minha vida medíocre? Não sei.
Alguma coisa mudou dentro de mim e eu nem sabia o que era. Demi se
escondeu sob roupas masculinas, provavelmente imaginando que assim não
seria assediada e seria respeitada pelos machos do lugar. E ela era. Mas
não só por ser “masculinizada”. Eu tenho que admitir que Demi era boa
no que fazia. Ela gostava. Eu ao contrário nunca gostei. Não queria
viver ali. Queria ir para a cidade, cursar minha faculdade de
veterinária. Burro.....se eu queria tanto fazer veterinária, não era
óbvio que eu gostava dessa vida? Por que eu tinha que ter essa mente tão
tacanha?
E
ainda tinha o pior. Era horrível dizer mas eu sentia um desejo
insuportável por Demi. Ta...sei que vão pensar que era pela descoberta
do seu corpo perfeito. Em parte era mesmo. Mas também porque percebi a
mulher de verdade que ela era. Não no sentido sexual. O fato de tê-la
indefesa e frágil em meus braços, mas ao mesmo tempo forte e determinada
só aumentou o que eu já sentia no momento em que a vi no rio. Seria
possível eu ter algum sentimento por ela e ter mascarado esse tempo todo
por puro orgulho, preconceito? Ou sei Lá...que palavra eu daria a isso?
Ao fato de admirar uma mulher tão “masculina”?
Burrice,eu acho. Mas isso nem me importava muito agora.
Tomei
coragem de dizer que a vi nua. Confesso que sua reação foi melhor que
eu esperava. Ela decididamente não era dessas mulherzinhas que se
descabelavam e gritavam por qualquer coisa.
Ela
acreditava em mim. Eu só precisava encontrar uma forma de conquistar
essa mulher. Isso não seria fácil.Mas eu teria que tentar, afinal ela
era minha esposa. E eu a queria para mim. E nem estava pensando no lado
sexual. Estava pensando no quanto ela poderia me ajudar a me tornar
gente.
Mas
por outro lado seria difícil resistir a seus encantos. No momento em
que Demi me abraçou eu senti todos os meus pelos se arrepiarem....e
paz. Uma tranqüilidade que seria difícil explicar. E quando olhei em
seus olhos....que se dane. Mesmo que ela me estapeasse, ficasse brava
comigo...eu queria beijá-la. Quando percebi que me daria um beijo no
rosto rapidamente virei e nossos lábios se tocaram. Eram tão doces e
macios. Mas eu fiquei estático, nosso olhar preso um no outro....até que Demi fechou os olhos.Sim, ela queria. Não me fiz de rogado e
aprofundei o beijo que infelizmente foi interrompido pela minha mãe. Mas
deixou um gosto de quero mais.
Minha atenção foi desviada para minha mãe. Estava diferente, triste.
- Percebeu como minha mãe estava estranha?
Perguntei assim que ela nos deixou a sós.
- Parecia que esteve chorando.
- Fiquei preocupado agora.
- É melhor tomarmos esse café e descermos então.
Iríamos
ver o que Paul queria nos dizer. Provavelmente apresentar o novo
empregado. O sujeito que Demi dera carona. Não gostei disso. Aonde já
se viu? Andar com um homem desconhecido por ai? Demi não conhecia os
perigos que as mulheres corriam? Meu Deus, que raiva.
Assim que descemos encontramos meus pais e um sujeito alto, cabelos claros. Muito forte e com uma aparência simpática.
Meu pai parecia nervoso.
- Joseph...Demetria. Sentem-se. Tenho um comunicado a fazer.
Demi sorriu abertamente.
- Conseguiu o emprego,Rafael?
Ele sorriu de volta.
- Na verdade.....er...Joseph....eu já conversei com sua mãe e....
Minha mãe escondeu o rosto entre as mãos e isso me preocupou.
- o que está acontecendo, pai? Por que minha mãe está assim?
Ele suspirou fundo e me encarou.
- Na verdade.... Rafael não é um novo funcionário. Ele é seu irmão, Joseph. Meu filho.
Meu queixo caiu. Irmão? Como assim? Demi levou a mão à boca.
- Irmão? Que brincadeira é essa?
- Rafael é filho....de uma....empregada que tive logo que cheguei aqui.
Olhei para "meu irmão" que me encarava.
- Ele é apenas meses mais velho que você, Joe.
Apesar de estar completamente surpreso...eu gostei da idéia. porra...um irmão.....eu sempre odiei ser filho único.
Não contive um sorriso.
- bom...isso é...
Demi também sorriu e foi ate Rafael de braços abertos.
- Seja bem vindo a família.
Ele a apertou com força.
- Obrigado, Demi.
Sinceramente...eu
odiei aquela cena. Tudo bem. Eu tinha gostado da idéia de ter um irmão.
mas um irmão que olhava para minha esposa como se quisesse devorá-la?
Aviso: Primeiro: desculpe por quase três dias sem postagens, mas como quem le esse recados que deixo deve saber estou internada, é dificil o médico deixar eu entrar na internet, que isso pode acabar com a recuperação. Segundo: Eu não posso entrar no meu pc que tem photoscape para fazer o banner então não posso faze-lo iria ficar muita agradecida se alguem o fizesse. Terceiro: Contatos; facebook:Amstad Lovato Jonas
Os outros peçam o que quiserem é só pedir que respondo pelos comentários também, beijos
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Olááá, vou ficar very very happy se comentarem meu lindos(as)
Por favor, comente que lê!