Capítulo 3
Emma tinha colocado apenas dois lugares na mesa de jantar, observando o olhar perplexo de Demetria com um sorriso.
—Joseph
tem um encontro, explicou ela, deixando Demi para colocar os talheres
enquanto ela ia para a cozinha para buscar o jantar.
A
dor atravessou seu corpo esguio como um tiro, e ela se perguntava o
porque?Por tudo o que seu orgulho tinha foi esmagado por Sterling, seu
coração nunca havia sido tocado por qualquer homem, exceto um. Ela
odiava a impetuosidade daquele sentimento, a onda verde de inveja por
pensar em Joseph e uma mulher, qualquer mulher, poderia causar. Tinha
sido sempre assim, sempre. E ela conseguiu mantê-la escondida por causa
do que ele já tinha feito ao seu espírito obstinado. Mas ainda estava lá
dentro, brilhante e queimando docemente como uma vela que nenhum vento
poderia apagar. E ela odiava Joseph por causá-la.
Ele
chegou do pasto, justamente quando Emma e Demetria estavam terminando o
jantar, e para evitá-lo, Maggie retirou-se para o alpendre e colou seu
corpo delgado no balanço da varanda. Estava quente e docemente perfumada
a escuridão do alpendre. Em sua infância, ela tinha sentado ali
enquanto o trovão estremecia ao seu redor, sentindo o fustigar da chuva
em seu rosto quando fechava os olhos e ouvia o barulho suave do balanço
em movimento.
O clarão repentino da luz do alpendre trouxe um suspiro de surpresa aos seus lábios, ela sentou-se rígida quando avistou Joseph.
Foi
um choque vê-lo em um terno de linho bege e gravata de seda coral, o
branco da camisa ressaltava sua morena complexão, seu cabelo escuro. Ele
poderia ter passado por um modelo muito masculino, a sofisticação
aderindo seu corpo, alto musculoso com a colônia sexy favorecendo-o.
Seus
olhos de um verde escuro varreu a sua figura no jeans azul, rígida no
balanço do alpendre. Ele olhou-a através de uma pequena nuvem cinza de
fumaça de cigarro, movendo-se como um gato grande e gracioso.
— Escondida, Irlandesa? perguntou ele calmamente.
Ela baixou os olhos para seu peito largo. — Vim tomar um pouco de ar.
Uma
sobrancelha escura subiu. — Você caiu desse balanço de cabeça uma vez,
lembrou. — Você e Selena estavam se balançando violentamente e você caiu
de pernas pro ar.
Seus
dedos tocaram suavemente o verde escuro da madeira e o metal frio da
corrente. — Você gosta de me lembrar de coisas agradáveis, não é? ela
perguntou cuidadosamente.
—
Você prefere ser lembrada daquele dia no curral quando você fez tudo,
até ajoelhar-se e pedir-me para fazer amor com você? ele perguntou
ironicamente, uma nota dura em sua voz que cortava tanto quanto as
palavras humilhantes.
Seus
olhos fecharam-se com a memória, e a dor. Havia um traço de crueldade
nele, pensou miseravelmente, tinha de haver ou não desfrutaria de
provocá-la desse jeito. Ela saiu do balanço, ainda evitando seus olhos, e
passou por ele.
Numa
inclinação, sua magra e forte mão disparou como uma bala e pegou-a pelo
braço puxando-a contra ele tão facilmente como se ela fosse uma
criança.
— Nenhuma réplica, Irlandesa? ele rosnou. — Onde está seu temperamento explosivo agora?
Ela não conseguia encontrá-lo. Seu corpo tremia em suas mãos, e ela não poderia sequer lutar com ele.
Com
um gesto ríspido, ele jogou fora o cigarro inacabado do alpendre e
segurou-a pelos ombros, os dedos machucando, os olhos verdes em chamas
fitando-a.
—
Deixe-me ir! ela explodiu, em pânico por causa das novas sensações que
ele estava causando ao sentir como ele pressionava seu corpo contra o
dele.
—
Porquê? perguntou ele breve. Seus lábios cheios tremiam enquanto ela
procurava as palavras que iria libertá-la. — Você está me machucando…
ela conseguiu.
— Onde? murmurou, e seus olhos percorreram seu pequeno e ruborizado rosto como um pincel de um artista.
— Meus… meus ombros, ela gaguejou.
Seu aperto afrouxou, tornando-se quentes e sensuais carícias, os dedos queimando-a através da blusa fina de algodão.
— Isso dói? ele perguntou suavemente.
Ela
não conseguia pronunciar as palavras. Ele estava queimando-a viva com
aquele lento, suave e carinhoso toque, fazendo seu coração dançar,
fazendo com que seus pulmões se sentissem em colapso. Suas mãos pequenas
foram para a camisa de seda, empurrando meio irresoluta contra o calor
dos músculos rijos de seu peito largo.
Suave,
um riso profundo roçou seus ouvidos. — Você não pode falar comigo,
pequena Demetria? ele sussurrou profundamente. Sua mão esquerda deixou
seus ombros em direção ao rosto dela e virou-a até seus olhos. A
excitação entre eles drenava seu protesto, o cheiro penetrante da sua
colônia estava permeando seus sentidos. Seus dedos, pressionados contra
ele, estavam entorpecidos de tão frios. E ainda assim ela não conseguia
se mover, não podia desviar daquele olhar zombeteiro que a tinha
hipnotizado, capturado.
Seus
olhos desceram para sua boca macia e jovem, e um polegar tocou sua boca
como um sussurro. — Eu poderia abrir sua boca com a minha como se fosse
um melão maduro, agora mesmo, ele murmurou sensualmente, — E você não
levantaria um dedo para me impedir, não é Irlandesa? Você ainda é minha,
para fazer o que eu quiser e quando quiser com você!
Com
um soluço de profunda vergonha, soltou-se dele, pegando-o de surpresa, e
correu por todo caminho de volta para a casa, ignorando uma surpresa
Emma, subiu as escadas de dois em dois degraus.
Durante
toda a noite ela ficou acordada, olhando para o teto escuro, planejando
uma maneira, qualquer maneira, de sair desse pesadelo. Mesmo voltando
para seu antigo emprego, vendo Sterling novamente, não seria tão
terrível como ficar ali. Ela tinha que fugir. Tinha mesmo!
Ela
pulou para fora da cama e vestiu suas roupas, entorpecida como o sol
que começava a sair das nuvens de manhã cedo. Ela arrumou as malas antes
de descer as escadas, decidida, com os olhos vermelhos e com escuras
sombras pela falta de sono. Ela tomaria o café da manhã e explicaria a
Emma, então pegaria um táxi até a rodoviária e Joseph nunca…
Ele
ainda estava na mesa do café, onde normalmente não estaria a essa hora
da manhã. Seus olhos aparentavam não ter dormido, e ela perguntava-se
amargamente a que horas ele teria voltado para casa, certamente ela
devia ter cochilado, porque não tinha ouvido ele chegar.
— Eu vou pegar um café para você, querida, Emma disse calmamente, batendo-lhe no ombro enquanto passava em direção à cozinha.
Ela
fez uma grande produção ao desdobrar o guardanapo de linho e alisando-o
no colo, analisando a toalha de mesa, tudo sob o olhar vigilante em
frente a ela.
— Você dormiu bem? perguntou ele finalmente, a sua voz profunda, lenta e amarga.
— Oh, Sim… eu dormi bem, obrigado, respondeu calmamente
— O inferno que dormiu, ele zombou.
— Você não deveria estar lá fora com o gado? perguntou ela.
—
Não até você me convencer de que não vai estar no primeiro ônibus para o
norte, afirmou categoricamente. Seu olhar deu toda a resposta que ele
precisava.
—
Foi o que pensei, disse ele, inclinando-se na cadeira para estudá-la
através dos olhos semicerrados. — Fugir nunca resolveu nada,Demetria.
Ela
olhou para ele, sentindo quebrar algo dentro dela. — Eu preciso de seu
conselho como um buraco na cabeça, ela retrucou, com expressão magoada. —
O que você está tentando fazer comigo,Joseph? O que Ster fez comigo não
foi o suficiente e você está tentando destruir os pedaços que ele
deixou intacto? Por que você gosta de me machucar?
— Você não sabe, querida? ele perguntou, num tom perigosamente silencioso.
Era
o rosto do estranho, novamente, não era Joseph, e ela olhou para ele
com curiosidade. — Eu… Eu acho que algumas vezes não sei quem você é,
disse ela involuntariamente.
—
Você não sabe. Ele engoliu o restante do seu café e acendeu um cigarro.
— Você está chafurdando na autocomiseração, Irlandesa, ou não percebeu
isso? Pobre menina, traída pelo noivo, abandonada no altar… bem, não tem
minha simpatia. Ele foi um maldito desonesto,enganador, e foi bom você
ter se livrado dele. O que ele feriu foi seu orgulho, pequeno pedaço de
gelo, disse ele sem piedade. — Você não reconheceria o amor nem mesmo se
ele se aproximasse e sentasse no seu pé.
— Eu suponho que você o reconheceria, já que é um especialista! ela disse num lampejo.
Seus olhos brilharam sobre um sorriso zombeteiro. — Mais que isso, riu.
Ela franziu a testa. — O que?
Ele
se levantou, parando em sua cadeira a caminho da saída, um longo braço
deslizou na frente dela quando ele se inclinou para baixo. — Eu lhe
disse antes, baby, ele murmurou em seu ouvido: — Eu gosto quando você
luta contra mim. Essa é a maneira mais fácil de dizer que você não está
tentando enterrar a cabeça no passado.
Ela corou, de repente entendendo, ou quase entendendo, seu comportamento na noite passada.
— Eu não quero passar duas semanas inteiras brigando contigo, ela resmungou.
Seus
dedos pegaram seu queixo e ergueu-o até os olhos dela encontrarem os
seus. Toda leviandade tinha sumido de seu duro rosto, agora. — Por que
você não pede a Emma para nos preparar um piquenique? ele perguntou
baixinho, — traga-o até o pasto perto do meio-dia. Nós vamos descer pelo
rio e comer.
— Mas… mas o leilão, todos os convites, e… a publicidade…? ela balbuciou.
Um
dedo longo traçou a curva suave de sua boca em um silêncio que fez a
sua respiração audível. — Eu vou te deitar embaixo daquele velho
carvalho retorcido, ele sussurrou profundamente, mantendo seu olhar, — e
vou te ensinar todas as coisas que Sterling deveria ter tido a
paciência para ensinar.
Próximo Capítulo...
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